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Jornalismo de dados é insuficiente

O site Aos Fatos checou se terceirizados ganham menos e comparou dois estudos. Um trabalho diz que os terceirizados ganham -24,7%; e o outro, desprezíveis -3%. O problema é que o site escolheu  dois trabalhos com rigor completamente diferente. Um foi feito pelo Dieese e só compara as diferenças entre ocupações tipicamente terceirizadas e as que não são. Isso é tão científico (ou trivial) quanto comparar o salário de pessoas que trabalham de paletó e de uniforme.
O outro estudo escolhido foi o paper de Stein et al . Este é um trabalho cuidadoso, com microdados da RAIS identificada e que usa as melhores técnicas disponíveis para tentar controlar as diferenças entre os indivíduos terceirizados e os que não o são. 
O texto do Aos Fatos dá o mesmo status a ambos estudos e faz crer que são duas visões sobre a mesma questão. Não mesmo. Claro que o trabalho de Stein et al não é definitivo, perfeito. Nenhum é, mas ele está em outro patamar de qualidade do que o panfleto - uso o termo conscientemente- do Dieese.
Sempre haverá trabalhos ruins. E os bem-intencionados divulgadores de ciência só pioram as coisas quando não separam esse joio do trigo. O público leigo fica ainda mais confuso e incrédulo.
Jornalismo de dados é uma ideia boa, um avanço, mas precisa do apoio de gente com treinamento em outras áreas e não apenas programadores ou web designers. Gente que saiba  que os dados não falam por si e precisam de alguma teoria para guiar as análises e a seleção de estudos de qualidade.

Links:
-O Roberto Ellery deu umas boas pancadas no estudo do Dieese.

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