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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

Uma avaliação do ano

Extremos. Em 2011, fui com o Tyler Cowen no Amigão. Foi também o ano em que o Sérgio Mallandro fez gluglu para mim (gluglu-para-tu...). Um bom ano. Segue uma foto do segundo encontro.




Boas festas para todos.



Joachim Voth e os calotes espanhóis

Ele é um dos gigantes da cliometria . Ele estuda de tudo e com o Maurício Drelichman mantêm uma linha de pesquisa sobre o Felipe II, o rei da Espanha, na segunda metade do século XVI. O Rei era muito caloteiro: 4 defaults durante o reinado e sempre atrasava os pagamentos. Em um artigo publicado no Economic Journal eles explicaram a racionalidade dos genoveses em continuar emprestando para o borrower from hell . (O Braudel toma uma tremenda surra).
Na semana passada eles apresentaram aqui mais um paper da série: Risk sharing with the monarch: contingent debt and excusable defaults in the age of Philip II, 1556-1598. Ele mostram que os contratos com o Felipe II eram muito sofisticados. Eles tinham cláusulas que consideravam a possibilidade de eventos inesperados, como a frota de galeões não chegar a tempo com a prata das Américas.  (Melhor pergunta e resposta do seminário: P: Pela própria proximidade entre os banqueiros e o rei, faz sentido tratar como se fosse um mercado de crédito e a…

Sorte, história e o próximo maluco

E se Kim Jong Un for um pouco menos maluco que o pai? Ou um pouco mais? Ou muito mais? Nessas horas, eu sou levado a concordar com o Kahneman no "Thinking, fast and slow" (ainda estou lendo):
"The idea that large historical events are determined by luck is profoundly shocking, although it is demonstrably true." Como ele escreve, houve um momento em que havia 50% de chances dos pais do Hitler gerarem uma menina e o século XX teria sido  bem diferente.
A história não tem sentido. Tentamos construir uma narrativa depois dos eventos, que ignora por completo o papel do acaso. E só.
A propósito, Kim Jong Un looking at things. (Obrigado ao Drunkeynesian pelo aviso)

Hitchens

Lamento muito. Eu torcia por ele. Eu já postei no blog, mas vale a pena repetir: Atualização: os melhores momentos dele na tv.

Diversos

- Via Laurini, o número especial da BRE em homenagem ao Ricardo Paes de Barros;
- Via Shikida. O rent seeking e o BNDES. Mais um ótimo trabalho de Lazzarini e cia;
- Serviços são a nova manufatura (Lembrete: tenho que ler o texto com bastante cuidado)
- Mansueto sobre a criação de novos municípios/estados.
- Bordas fantasmas. A divisão entre Alemanha Ocidental e Oriental é beeeem mais antiga do que eu pensava. Dica do Alexandre Rocha.
- Eu já recomendei o blog do Eli Dourado? Se não, eu já deveria ter feito.

Seminários, jornalistas e Dani Rodrik

Uma parte do argumento do Rodrik está correta. De fato, o que os economistas dizem nos seminários fechados é distinto do discurso público. Nos seminários baixamos a guarda, discordamos bem mais e somos mais céticos. E daí?
Os médicos dizem : "Faça mais exercício" ou ¨Coma mais vegetais". Não precisa ser o  Dr. House para imaginar situações em que essas recomendações piorariam o estado do paciente. Contudo, como norma geral, o conselho médico segue válido. É bem arriscado trazer a público certas discussões de saúde pública.
O mesmo acontece na Economia. Casos extremos como bens de Giffen e crescimento empobrecedor - para pegar os mais simples - só são ensinados quando o aluno já entendeu o núcleo da teoria econômica. Quer  na Medicina, quer na Economia, ou qualquer outra área (séria) certas discussões são feitas internamente antes que o debate seja aberto para o público não especializado.  E não há nada de errado com isso.
Atualização: Por coincidência, o  The Browser me…

Um benefício extra do "Não" paraense

Como meu colega Rogério Boueri argumentou, o "não" para o desmembramento do Pará fez um bem tremendo para as finanças públicas (aka "seu bolso") e para a racionalidade econômica.
Agora, para quem faz trabalhos empíricos, a decisão dos eleitores paraenses nos poupará de um monte de ¨Dissolve¨ no ArcGis da vida! Que alívio!
Atualização: corrigi o título! Obrigado aos que me avisaram!

Madri - primeiras impressões

Alguém disse que o especialista em um país é alguém que ficou ou 3 dias ou 10 anos. Como eu estou saindo da primeira categoria, aí vão os meus pitacos:
Os serviços funcionam bem em Madrid. Abrir conta no banco foi moleza e as pessoas são prestativas e diretas;Sem ligar a televisão, é impossível perceber sinais  de crise. Lojas cheias, decoração natalina e restaurantes entupidos de espanhóis (Não sei se são turistas visitando a capital);Corte de cabelo por 6 euros. Eu nem precisava ter cortado o pouco que me resta em Brasília. Isso é estranho: os preços relativos estão próximos dos brasilienses. Por Balassa-Samuelson, os serviços aqui deveriam custar mais caro do que as manufaturados. No olho, isso não está rolando. Sinal da crise aqui e do crescimento recente do Brasil?*Para uma cidade latina, Madri é bem silenciosa. * Atualização: quando eu fiz o post, eu comi mosca e não me lembrei que um câmbio sobrevalorizado também muda os preços relativos internamente.

Diversos

- O ótimo Mesoeconomia, o livro de contabilidade social (e muito mais) do mestre Duílio e cia foi premiado pelo Jornal do Comércio;
- Aquele abraço para todos os amigos que estão na ANPEC/SBE. Depois me contem as fofocas os avanços científicos;
-  Leka I Soku é o cara. Scorsese faria um filme ótimo. Imaginem a cena com a bazooka;
- Rede de Economia Aplicada ; É a nata dos pesquisadores brasileiros!!! Só tem craque mesmo!!!

Churros recheado e outras coisas importantes da vida

O jeito mais fácil de se adaptar a um país, todos sabem, é de fora para dentro, comendo. Os churros locais, lamento dizer, foram frustrantes. A massa é igual a brasileira e eles devem ser molhados em um chocolate quente meio-mais-ou-menos. Bendito o imigrante espanhol que inventou o churros recheado em São Paulo e benditos todos os vendedores de churros de Porto Alegre e Rio.
E qual a importância do churros recheado? Ora, hoje a Economia tem a tecnologia para estimar os ganhos de bem-estar decorrentes da introdução de novos bens. Veja a tabela 1 desse trabalho que sintetiza os estudos do gênero. Ok, o churros recheado não é tão importante quanto o chá ou a internet, mas deve ter valido mais do que o Cherrios de maçã e canela. Ao menos para mim, vale bem mais.

Rumo a Madri - pararatibum- bum-bum

Hoje eu vou para o Madri para uma temporada no Departamento de História Econômica da Universidad Carlos III. Tirei uma licença do trabalho e vou com o apoio da Fundacíon Carolina.
O departamento de lá tem muita gente super boa. Eu destaco o Leandro Prados de la Escosura, a grande referência na área, e o Joan Rosés, que tem pesquisas ótimas sobre desigualdade regional no longo prazo na Espanha.
Agora o negócio é torcer que não rolem muitas greves gerais e a Europa resista. Se ruir, já vou logo avisando: não tenho culpa! Quando eu cheguei já estava assim!