Manual / Graduação

Graduação


A vida na graduação

Dois extremos: você estudou em colégios privados e, agora, tem todo o tempo da vida para fazer a graduação em uma faculdade pública; ou você é um dos alunos trabalhadores que, depois de se aporrinhar no trabalho, cursa Contabilidade nas Faculdades Reunidas de Unistalda.
Se está na primeira categoria, você tem a expectativa de que a universidade será uma sequência de festas, churrascos, porres e sexo ocasional. Você não ficará decepcionado. A qualidade dos eventos varia de acordo com os cursos, mas você se divertirá mais do que nunca na sua vida. Tire os primeiros dois anos de curso para aproveitar, amadurecer e queimar os hormônios e os neurônios. A partir daí, já está na hora de tomar vergonha e pensar no futuro. Afinal, ao se formar, você será um desempregado.
Por sua vez, se você é o estudante-trabalhador-que-come-pastel-e-suco-de-dois-reais, a universidade também será o melhor período da sua vida. Você não poderá festear tanto, afinal, faltará energia e terá de estar apresentável no dia seguinte. Mas, de qualquer forma, o ambiente da universidade é bem mais interessante do que o do trabalho. Boa parte dos professores não é tão mala quanto o seu chefe, e você pode ter um diálogo mais aberto.

O segredo

Talvez você já tenha aprendido o segredo. Talvez não. Quando temos 18 anos, nosso cérebro ainda não está plenamente desenvolvido e nos achamos muito importantes. Na escola, você provavelmente tinha ao menos um professor preocupado com o seu aprendizado e que compartilhava os seus sucessos (e ocasionais fracassos) com os seus familiares. Tudo isso reforçava a ideia de que o seu aprendizado era mesmo importante.
Então, vou contar o doloroso segredo: os professores universitários não estão preocupados com você. Você é apenas mais um rosto, um aluno a mais na lista de chamada, uma prova a mais para corrigir. Só. Talvez por autodefesa, pois caso venham a se preocupar com o aprendizado de cada um, vão se frustrar. Então, eles só não querem que você crie problemas. Só isso já está bom.
Eu não quis ser rude com você. Nada pessoal. Você e eu estamos entre os 100 bilhões de pessoas que já viveram na Terra. Arredondando, você = nada. Claro que, para você, sua vida é o que importa, mas não espere que o professor pense o mesmo. Assim, quando você se achar muito "ixperto" por ter enganado o professor pelo trabalho que copiou ou pela assinatura falsificada na lista de chamada, não se iluda. Na verdade, o professor percebeu, mas não quis se incomodar. A razão é que no fundo ele não se importa com você. Entendeu o segredo?
O único jeito de você ser importante para seu professor é se tornar um ótimo aluno. Um daqueles que ele se orgulhará de ter tido como aluno. Bem, ele se vê um pouco em você e acha que será capaz de conduzir a sua carreira ao sucesso profissional. Isso vai dar um pouco de sentido na vida de um mestre que envelhece rapidamente.

Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

3 comentários:

Maurício disse...

Já os da pós-graduação não apenas não se importam como tentam ativamente bombar os alunos. Pelo menos é como foi minha (breve) experiência no mestrado acadêmico em Economia da EESP-FGV. Todos os cursos sérios de pós em Economia são assim?

Leonardo Monasterio disse...

É assim nos melhores cursos de economia no br e no resto do mundo. Não tenho muita ideia de como é nas outras áreas.
abraços,
Leo

Maurício disse...

Que pena. Eu e a maioria dos alunos detestamos o curso de verão. Dão um monte de matéria, ninguém entende, e aí ficam entre bombar a maioria dos alunos ou passá-los na marra. Curso idiota.

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