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Do Chinese Factory Workers Dream of iPads?

Ótimo título, ótimo texto:
We must be peculiarly self-obsessed to imagine we have the power to drive tens of millions of people on the other side of the world to migrate and suffer in terrible ways. China produces goods for markets all over the world, including for its own consumers, thanks to low costs, a large and educated workforce, and a flexible manufacturing system that responds rapidly to market demands. To imagine that we have willed this universe into being is simply solipsistic. It is also demeaning to the workers. We are not at the center of this story—we are minor players in theirs. By focussing on ourselves and our gadgets, we have reduced the human beings at the other end to invisibility, as tiny and interchangeable as the parts of a mobile phone. Chinese workers are not forced into factories because of our insatiable desire for iPods. They choose to leave their farming villages for the city in order to earn money, to learn new skills, to improve themselves, and to see the world. And they are forever changed by the experience. In the latest debate over factory conditions, what’s been missing are the voices of the workers.
A revolução industrial chinesa gerou o maior ganho de bem-estar da história humana. O meu espírito do contra lembra, contudo, que só porque o trabalhador diz que está tudo bem, não quer dizer que está, de fato, tudo bem.
Eu tenho uma métrica para avaliar os países. Quanto mais parecido com  uma Holanda com praia o país for, melhor. Ou seja, o negócio é democracia liberal + capitalismo + welfare + tolerância + sol.
Mesmo que a tal "voz dos chineses" (ou brasileiros ou qualquer outro povo) digam que está tudo bem, eu - autoritário como sempre - digo que não está. E fico um pouco incomodado (Não muito. Apenas o suficiente para satisfazer a imagem falsa que tenho de mim mesmo) com o fato do sujeito que montou o meu iPad viver sem liberdades civis e proteção social.

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" "Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrãode você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico." Se você não sabe o que é desvio padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico. Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a…

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