Pular para o conteúdo principal

Rouanet, Prestes, Olavo de Carvalho e eu

Senta que lá vem a estória: era o ano da graça de 2002 ou 2003. Sabe-se lá o porquê, eu fui chamado para um debate sobre Economia da Cultura com o Olavo de Carvalho e o Luis Carlos Prestes Filho na PUC-RS. Eu, admirador do jerry-springer, wilton-franco, jacinto-figueira-júnior, et caterva, aceitei."Vai ser ótimo. Vai rolar um telecatch entre os dois! Jerry! Jerry!"
Para minha decepção, ambos se trataram muito bem. Gentileza inglesa. Paciência japonesa. (Ou será o contrário?). Nenhum palavrão. Nada de sangue. Nada. Enfim, o clima foi amistoso, quase amoroso.
Eu vim com o meu papinho de que Lei Rouanet é um horror, porque é regressiva, ineficiente e uma porta aberta para rent-seeking e umseteuns. A solução para incentivar a cultura seria um sistema de vouchers, tal como o proposto por Baumol e Bowen. Para minha surpresa, Olavo e Prestes Filho gostaram da idéia e a noite (era noite?) terminou bem chocha.
Hoje: nada mudou. Desfiles de moda, o tal fora do eixo, e um monte de outros escândalos são decorrência direta da farra da Lei Rouanet. O mais esquisito é que a mãe do Supla propôs o sistema de vouchers, ao mesmo tempo que defende a tal Lei. Enfim, ao invés de aproveitar a oportunidade para abolir as leis de incentivo à cultura, tudo ficará igual (ou um pouquinho pior).

Comentários

Eva disse…
Oi Leonardo! tem alguma base de dados dos investimentos da Lei Rouanet? Obrigada!
Anaximandros disse…
Em outra ocasião sobre o mesmo tema no espaço Santander, fostes bem mais feliz, creio, e anoite não foi tão chocha...rs. A mesmice na cultura e em todo lugar temos um governo que só acredita em intervencionismo e, com isso, vai acabar com o pouco de Estado que ainda temos. Um abraço e belo post, s.
Sim... no Santander foi reluzente! Quase ofuscante!
Eva... deve existir ou vc pode solicitar pela Lei de Acesso a Informação.
Se conseguir, me avise, ok?
Eva disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Eva disse…
Oi Leonardo, fiz uma pesquisa e o SalicNet do Ministério da Cultura tem dados.
Gostei muito do teu blog, parabéns! descobri que tivemos o mesmo orientador na UFPR, o grande Gabriel Porcile!

Postagens mais visitadas deste blog

Capitalismo de compadrio não é um problema cultural

Eu costumo dizer -  um pouco brincando- que "cultura não importa". No caso da discussão sobre o crony capitalism, no entanto, eu falo a sério: a chave está nos incentivos econômicos.
O historiador econômico Stephen Haber resume isso bem na introdução de um livro jóia sobre o assunto. A lógica é a seguinte: em termos ideais, quando há boas instituições, os empresários sabem que não serão expropriados pelo governo. Este taxa todo mundo, ganha o seu, mas não distribui privilégios. Logo, não há sentido em ser amigo do governo,  nem financiar campanhas.
Agora, quando as instituições são ruins e o poder discricionário do governo é grande, surge um dilema. Como o empresário vai investir se sabe que uma hora qualquer as regras podem mudar contra si? Sem investimento, não há o que tributar.  A solução mútua é transformar o governo em sócio de alguns empresários. Assim, cria-se um compromisso crível: o governo não vai passar a perna nas empresas de quem é "amigo" pois tem u…

A regra dos dois desvios

Ao que parece, a regra será a minha maior (e única) contribuição ao Saber Universal. Eu a reproduzi no verbete "Brigas, críticas e debates" do meu magnum opus "Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado" ( Atualização 2017: O livro está fora do ar porque uma segunda edição, expandida, será publicada em breve). Aí vai:

" "Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrãode você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico." Se você não sabe o que é desvio padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico. Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a…

Colistete e o atraso educacional brasileiro

Ficou ótima a matéria da Revista Piauí com o perfil do Renato Colistete e sobre sua tese de livre-docência (pdf).
Ele é um pesquisador sensacional, gente boa e orientador de 9 entre 10 dos novos pesquisadores em histórica econômica. Já estava no tempo de ele ter reconhecimento de um público mais amplo.
Aproveite e leia o seu blog . Quando a tese estiver on-line, eu aviso.