30/04/2015

O dia do perdão do e-mail

É hoje. Segundo os promotores do evento, hoje é o dia em que você pode responder-  sem remorso - aos e-mails que você procrastinava faz tempo.

29/04/2015

Diversos

26/04/2015

"One hit wonders" fora da música

No Reddit. Existiu alguém assim na Economia?Alguém que tenha publicado um paper muito citado e que depois tenha desaparecido? Eu não lembro.

Mujica inspirado por Milton Friedman

Aqui. Suspeito muitos dos seus admiradores não gostaram da referência. (Também imagino que alguns que se dizem seguidores do Friedman também não ficaram felizes) (Link via @libdep)

O problema com o Über

A crítica contra o Über - ou contra qualquer serviço de transporte com livre entrada de ofertantes- é que ele piora uma ineficiência já existente. Os carros  utilizam um recurso comum, o espaço da rua, sem pagar nada por isso. Cada motorista considera seus custos privados, sem levar em conta que marginalmente piora o trânsito para todos. Da mesma forma que um lago tende a ser utilizado até não sobrar um peixinho, uma rua tende à saturação. Em ambos casos, o problema decorre da ausência de preços para um recurso escasso. 
(Os táxis também têm o mesmo problema, contudo, como há um  número fixo de licenças, as consequências sobre o trânsito tendem a ser menos graves.)
A solução - repito - é cobrar pela utilização das vias. O  pedágio urbano corrige essa falha do governo (que gera uma falha de mercado). Preços distintos por local e horário poderiam resultar na quantidade ótima de Über, taxis ou carros de passeio nas ruas.
Eu chuto que ainda vai levar ainda uns 20 anos para que isso chegue às nossas cidades. Para não ofender os eleitores, será algo disfarçado como um desconto no IPVA para aqueles cujo GPS indicar que não andaram nos locais/horários críticos. Espero estar certo.

Recebi a primeira avaliação duas estrelas do "Manual..."

"Livro interessante, mas é para ler apenas uma vez. Não acrescenta conteúdo e cultura ao leitor. É também muio genérico."
Tirando que a nota diminui a média do livro, eu achei curioso que o leitor ache que vale a pena ler "apenas uma vez".

24/04/2015

"Introdução aos métodos estatísticos para Economia e Finanças" por Ywata, Cajueiro e Camargo

Aqui. Acabou de sair. O Alexandre Ywata é o super-estatístico criador do IpeaGeo e o Daniel Cajueiro é um dos mais produtivos economistas. Não conheço o Reinaldo Camargo, mas - pelas companhias com que anda - deve ser também gente boa e craque.
Recomendo fortemente!

23/04/2015

O desvio na bolsa pesca

Ótimo saber que o TCU encontrou identificou uns R$ 20 milhões de desvio no seguro-defeso cruzando dados de outras bases. Temo, contudo, que o problema seja beeeem maior.
Gambier  e Valente, meus colegas de Ipea, mostraram que o número de "pescadores" que recebiam a bolsa equivale ao dobro do número de pescadores no Censo. Logo, a fraude pode ser até a metade do valor pago.
Não estou falando de pouco dinheiro. Em 2014, o contribuinte pagou mais de R$ 2 bilhões do seguro-defeso, ou seja, 1/12 de todo o Bolsa Família, um programa com ótimo foco. Logo, sim, "daria bilhão".

22/04/2015

Toma essa, patriarcado!

Cientistas suspeitam que as fêmeas dos  chimpanzés  usaram lanças para caçar antes dos machos. Elas usam para atingir os simpáticos gálagos. Ao que parece, as fêmeas são as principais inovadoras em diversas espécies de primatas.
Ou seja, mulheres com armas talvez tenha um antecedente genético.

O fim dos p-valores

Um journal de Psicologia baniu a publicação de p-valores, para acabar com a tendência dos cientistas e leitores caçarem estrelas e interpretem errado o significado.
Imagino que o Análise Real apoie a medida! (dica do @Sabinojr )

Um dia que começa com um email do Stanley Engerman é um bom dia

O assunto? A origem da ideia de colônias de povoamento versus colonização. #ostentação

21/04/2015

Mais um texto bacana sobre terceirização

O texto tem a  autoria do Carlos Góes, um dos editores do sempre recomendado Mercado Popular. A propósito,  ele bem que merece uma coluna fixa em  jornalão, né? (Não o conheço e nem sei se ele gostaria disso)
Além das dicas do texto, sugiro o trabalho premiado do Gabriel Ulyssea (ex-Ipea , atual PUC-RJ) sobre informalidade no Brasil.

PS. Só vi agora que o Roberto Ellery já tinha mostrado os erros no "estudo" sobre o salário mais baixo dos terceirizados.

"Brasília não é tão ruim quanto parece"

No ótimo filme -  e bizarramente intitulado no Brasil - Creizipipol, o Dudley Moore é um publicitário surtado que passa a criar slogans sinceros. Ele bola um lema novo  para Nova Iorque. Era algo como "NYC: matamos menos gente do que ano passado".
"Brasília não é tão ruim quanto parece" seria um bom slogan. Na cidade, a diferença entre visitar e morar é imensa. Outras capitais brasileiras mostram ao visitante de cara o que é morar lá . (Já morei em RJ, SP e POA). Em Brasília, contudo, se você se hospedar em  um dos setores de hotéis e passar o dia na Esplanada terá um visão horrível da cidade. Parece que você está em uma árida distopia futuristacomunistacomarquitetosmelhoresdoqueosrussos, com um sol de rachar, serviços ruins e preços ridículos.
De perto, morando aqui, você descobre que na cidade a vida é normal, arborizada,  não é tão planejada assim e tem até boas surpresas gastronômicas.
(Sim, o DF também é mais um caso do que a literatura sobre federalismo indica: quando maior a receita de transferências do governo, pior a administração) 

O que mata os brasileiros? (E o resto do mundo)

Aqui. Esse Global Health Data Exchange é impressionante. A ótima matéria sobre o idealizador da base está no NYT e agradeço o link ao grande demógrafo Bernardo Lanza Queiroz (@blqueiroz).

Maduro na gangorra (Video)

É uma metáfora completa demais da economia da Venezuela. Triste.

19/04/2015

Contra a lei da uniformização, viva o terno e gravata!

Estudo mostra que os trabalhadores que usam uniforme de firma:
  • Ganham 24% menos do que os que não usam;
  • Sofrem 99 trilhões mais acidentes de trabalho do que os demais.
Para melhorar a situação, a solução é óbvia: esporte fino para todos os trabalhadores brasileiros!
{
Sim, isso não faz sentido algum. Nos últimos dias, contudo, muita gente tem usado o  raciocínio análogo quando acha que a terceirização é a culpada dos baixos salários.
Para saber mais sobre a lógica da terceirização: aqui e aqui.
}

16/04/2015

O Brasil é um país fechado

...mesmo controlando para sua área, PIB, população, indústria e até quando comparado com os demais da América Latina.

The Curious Case of Brazil’s Closedness to Trade
Otaviano Canuto
Cornelius Fleischhaker
Philip Schellekens

Abstract
Although Brazil has become one of the largest economies in the world, it remains among the most closed economies as measured by the share of exports and imports in gross domestic product. This feature cannot be explained simply by the size of Brazil’s economy. Rather, it is due to an economic structure reliant on domestic value chain integration as opposed to participation in global production networking. It also reflects more generally an export base that shows lack of dynamism. Opening up and moving toward integration into global value chains could produce efficiency gains and help Brazil address its productivity and competitiveness challenges.

XI Congresso Brasileiro de História Econômica - Vitória

15/04/2015

Temístocles e o boom de recursos naturais 500 A.C

Conta Heródoto que, tendo encontrado as minas de prata de Lavrio, os atenienses queriam distribuir 10 dracmas por cidadão. Temístocles, mais sábio, sugeriu usar os recursos para montar a frota que se mostrou essencial para o futuro dos gregos.

 

Agradeço ao grande mestre Gabriel Porcile por me incentivar a ler o Heródoto.

13/04/2015

Um restaurante indiano de verdade em Brasília

É um verdade universalmente reconhecida que um restaurante indiano torna a existência mais suportável. Felizmente, agora Brasília tem um que não faz feio. É o Taj Mahal. O dono/cozinheiro veio de Kerala- aquela província famosa pro pessoal de Desenvolvimento-  direto para cá (sei lá o porquê).
O nome é clichê, o cardápio também tem só o basicão, mas é suficiente para consolar a alma. São cardápios fechados  (entre uns 35 e 50 reais) com salada, samosas, curry e a sobremesa (eu, que nem gosto de gulab jamun, adorei o servido lá). O lassi também estava excelente, nada daquele iogurte aguado que servem por aí.
Fica longe (uns 30 minutos do Plano Piloto) dentro de um lugar meio de Humanas chamado Aldeia da Terra,  mas vale muito a viagem. Dicas:
- Eu acho que precisa reservar. Eles entendem português básico; talvez seja melhor falar inglês;
- Eles já se adaptaram e pegam leve na pimenta. Mas dá para pedir realmente spicy;
- A água e o  masala tchai, bem bom, estão incluídos na refeição;
- Não aceitam cartão de crédito ou débito.

10/04/2015

Carta de Economia e Negócios - divulgação e chamada de trabalhos


Está no ar o número mais recente da Carta de Economia e Negócios da UCB. Eu realmente acho que os textos estão muito legais mesmo, com autores de primeira linha, tratando de temas muito relevantes:
  • Os suspeitos de sempre 
    • Alexandre Schwartsman, Henrique L Daniel;
  • O que é “contabilidade criativa”?
    • Marcos Mendel;
  • Como evitar jogos de planilha em licitações de obras no Brasil?
    • Angelo Miguel de Barros.
Aproveite que você já está lá e também veja  número anterior, também bacana:
  • Eficiência do Setor Bancário Público Brasileiro no Período Recente: 2008-2013
    •  Fernando da Silva Vinhado
  • Por que os gastos com seguro-desemprego crescem?
    • Sérgio Ricardo de Brito Gadelha
  • Os níveis de renda dos assentados da agricultura familiar no Mato Grosso do Sul
    • Catarina Oliveira Guimarães Barcelos, Carlos Vinícius Santos Reis
A ideia é publicar textos mais longos e sofisticados do que artigos de jornal, mas mais curtos e menos detalhados um paper acadêmico. Temas de conjuntura econômica são preferidos.
Submeta o seu trabalho aqui. Agradeço aos autores e à equipe da UCB que me ajudou na edição.




08/04/2015

Obama >>> Fidel

Em uma pesquisa de opinião em Cuba e mais um monte de resultados interessantes.

Terceirização e a Teoria da Firma

Todo mundo tem meia dúzia de artigos que mudam o jeito de ver o mundo. Na minha lista está  Production, Information Costs and Organization (1972) do Alchian e Demsetz (14 mil citações no Google Scholar. Para eles, a firma seria uma ficção legal, uma parte que centraliza vários contratos com agentes que contribuem para o produto final. Da mesma forma que ela compra dos seus fornecedores, também compra serviços dos empregados e mesmo dos seus diretores. (Ok, eles exageram um pouco nas metáforas e em alguns pontos, mas tem um tanto de verdade.)
Não faz sentido limitar a terceirização à atividade-fim da firma. Afinal, tudo seria meio que terceirizado e também a noção de atividade-fim fica difusa. Hoje, uma corporação contrata de outras firmas desde o design, até o suporte pós-venda, passando pela fabricação. Mesmo políticas de fixação de preço já são terceirizadas. 
Um exemplo: quem é que faz um PC da Dell? Não é exatamente a Dell; ela apenas coordenou a produção. Sua atividade-fim não é produzir PCs do início ao fim e sim organizar dezenas de milhares de contratos. Se fosse proibido à Dell terceirizar, ela teria que ser como uma Ford, que chegou a ser dona até das plantações de borracha natural para os seus carros.

Urgente! Precisamos de um mapa desses para o Brasil

Será preciso usar as novelas da Globo, eu acho.
xkcd

07/04/2015

Chamada de trabalhos sobre Economia da Inovação na RBEE

Aqui. Data limite de submissão: 31 de Maio.
[Atualização: link consertado]

"A vida entre os econs": uma ideia para podcast

Baseado no ótimo texto antropológico-satírico do "Life among the econs" (1973), a ideia seria entrevistar um integrante de cada sub-tribo dos economistas por programa. Um dia seria com o pessoal de Economia de -sei lá - da Saúde, no outro, os austríacos, na sequência, os caras de DSGE e assim por diante.
O representante de cada tribo responderia perguntas de antropólogo como: "Qual o mito de criação da tribo?"; "Quem são seus líderes?"; "Qual a função dos anciãos?;"Há totens?" entre outras
O Econtalk faz um pouco disso, mas leva tudo muito a serio. Eu acho que o tom antropólogo fajuto seria mais relaxado e, no fim das contas, mais realista.

06/04/2015

Quais eram os países de renda per capita média e média alta em 1957?

Cuba no mesmo grupo do Japão; e a Venezuela junto com  Dinamarca e  Reino Unido.

O Brasil estaa na média baixa, junto com Portugal e Espanha.
Fonte: North, Douglass. Growth and Welfare in the American Past. 1966. p. 5. (Os valores não são em PPP.)

Por que as crianças indianas são tão baixas?

Eu li o título do paper e respondi mentalmente: "ora bolas, porque elas são pobres". Porém, descubro um problema bem pior. Elas são mais baixas do que as crianças igualmente pobres de outros países. E o motivo é o favorecimento os primogênitos e dos meninos. Muito triste.
Why Are Indian Children So Short? 
Seema Jayachandran and Rohini Pande  
India's child stunting rate is among the highest in the world, exceeding that of many poorer African countries. In this paper, we analyze data for over 174,000 Indian and Sub-Saharan African children to show that Indian firstborns are taller than African firstborns; the Indian height disadvantage emerges with the second child and then increases with birth order. This pattern persists when we compare height between siblings, and also holds for health inputs such as vaccinations. Three patterns in the data indicate that India's culture of eldest son preference plays a key role in explaining the steeper birth order gradient among Indian children and, consequently, the overall height deficit. First, the Indian firstborn height advantage only exists for sons. Second, an Indian son with an older sibling is taller than his African counterpart if and only if he is the eldest son. Third, the India-Africa height deficit is largest for daughters with no older brothers, which reflects that fact that their families are those most likely to exceed their desired fertility in order to have a son.

05/04/2015

Só podcasts (muito off-topic)





04/04/2015

"Institutions, inequality, and long-term development: a perspective from Brazilian regions" por Pedro Funari

Recomendo muito a dissertação do Pedro Funari na USP. Ele foi orientado pelo Renato Colistete e aplicou o Acemoglu et al. para o Brasil.
(Por algum motivo, eu esqueci de comentar aqui que em outubro/2014 apresentei um seminário na FEA. Além de rever os amigos, foi ótimo porque conheci o Pedro e também o Adriano Teixeira, do ótimo blog Prosa Econômica.)

02/04/2015

Colônias de povoamento versus colônias de exploração: de Heeren a Acemoglu

Coloquei no ar a  primeira versão. O texto está ainda incompleto e sem qualquer revisão, logo comentários são mais do que bem-vindos.

Colônias de povoamento versus colônias de exploração: de Heeren a Acemoglu
Leonardo Monasterio e Philipp Ehrl
Resumo 
O artigo examina a evolução da tese que sustenta que o tipo de colonização determina, ou condiciona, o futuro das sociedades. Adam Smith já apresentava esta proposição e um tipologia das colônias. Contudo, foram os autores alemães Heeren e Roscher, no século XIX, os responsáveis pelo desenvolvimento da tese. Estes historiadores influenciaram o economista ortodoxo francês Leroy-Beaulieu, que tratou do assunto em obra publicada em 1902. Fica claro que Caio Prado Jr. foi mais um divulgador da tese "colônia de povoamento versus colônia de exploração'' no Brasil do que seu criador. Nos Estados Unidos, a ideia ressurge nas obras de Douglass North (1955 e 1959) e de Richard Baldwin (1957). Mais recentemente, os cliometristas Engerman e Sokoloff (1997) aprofundaram a questão, sem fazer referência aos autores europeus. Finalmente, Acemoglu, Johnson e Robinson (2001 e 2002), citando apenas a literatura neoinstitucional, levaram a tese para um público acadêmico mais amplo e apresentaram evidências econométricas. O artigo se encerra com a discussão sobre as possíveis razões do sucesso da tese e da sua recorrente  'descoberta' pelos pesquisadores.

Diversos, só nerdices


01/04/2015

O descaso pela educação no Governo Vargas

O gráfico é ótimo, mas não substitui a leitura do paper  do Thomas Kang (que é ainda melhor).

Como quebrar o poder das empreiteiras no Brasil?

O grande Marcos Mendes dá  aqui caminho (politicamente difícil) para quem quiser encarar. Ele lista até as mudanças legais que devem ser adotadas: RESTRIÇÕES LEGAIS À ABERTURA DO MERCADO BRASILEIRO DEPROJETOS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA. 

"The limits of inquiry are dictated by the existence of appropriate theory and evidence" Douglass North

Que frase! Está em um ótimo livro meio didático do North:  "Growth and Welfare in American Past: a new economic history".
A propósito, outro livraço dele Economic growth of the United States 1790-1860 (1961), está inteiro de graça no Internet Archives. É lá que ele desenvolve a ideia de que o tipo de povoamento das regiões condicionou o crescimento econômico norte-americano.