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A crítica aos randomistas e o progresso da Ciência

Saiu mais uma crítica aos randomistas. Nada muito novo; as questão são  - no fundo - as mesmas já levantadas por outros autores.
Uma crítica repetida é: "ah, bons tempos aqueles em que a Economia fazia Grandes Perguntas":
 "The larger questions once asked within the discipline, regarding the effect of alternative economic institutions and policies... for instance, and the impact of political dynamics and processes of social change, have been pushed to the background in favour of such questions as whether bed-nets dipped in insecticide should be distributed free of charge or not, or whether two schoolteachers in the classroom are much better than one."
Existe uma regularidade na ciência: quando mais desenvolvida uma Ciência menos Grandes Perguntas. Os gregos ficavam lá perguntando quais são os elementos básicos, o que é vida, o universo e tudo mais. Um físico ou um médico de hoje passam a vida tentando resolver um minúsculo problema, mas que tem solução.
"O que é preço justo"; "O que é valor?"; "Quais são as leis de distribuição?" foram preocupações iniciais da Economia. Hoje, as perguntas são menores, mas têm resposta.
Enfim, é bobagem criticar os outros por não fazerem Grandes Perguntas. Nada impede que você pergunte "Why nations fail", mas quem pergunta se vale a pena ter 1 ou 2  professores na sala de aula também tem seu valor.

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" "Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrãode você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico." Se você não sabe o que é desvio padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico. Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a…

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