Debates imaginários (que eu sempre ganho)

Amigo imaginário: "Dinamarca tem política industrial, logo o Brasil tem que ter também."
Eu: "Sim, mas e o Myanmar também deve ter?" 
Amigo imaginário: "Não, porque a qualidade do governo lá é muito ruim. Assim é pouco provável que vão conseguir escolher os setores estratégicos ou os 'winners' decentemente. É provável que possíveis benefícios terminem sendo dissipados pela corrupção ou outras distorções."
Eu: "Ah, você percebeu que o recomendável de política industrial depende da qualidade do governo? Com instituições ruins, o melhor é não fazer política industrial e sim colocar as fichas coisas básicas tipo: saneamento, infraestrutura e educação."
Amigo imaginário: "Percebi! Você me convenceu! Como eu aprendo conversando com o você!"
Eu: "Obrigado!"

FIM

 Envie este texto do grande historiador econômico Douglas Irwin para aquele seu amigo que acha que o Chang é a grande referência em política industrial. Vejam este trecho:
... it is unwise to make policy recommendations based on America’s experience a century ago without appreciating the broader institutional context of the U.S. growth experience and its differences from many developing countries today. In the U.S. case, competitive political institutions and limited government prevented policymakers from pursuing highly damaging policies. Governments in developing countries that are unaccountable, or possess unchecked power, can implement policies that have the potential to impose much greater costs on society for much longer periods of time.
Se isso não for suficiente, o texto do Clemens e Williamson explica a mudança na relação entre protecionismo e crescimento ao longo da história.


10 comentários:

Anônimo disse...

Gosto muito das suas recomendações de bibliografia... Keep'em coming

Anônimo disse...

Hum, esta explicação institucional tem algum fundo de verdade (explicações institucionais tem um fundo de verdade sobre praticamente qualquer coisa, não é mesmo?), mas é muito simplória também. Dizer que as instituições eram "boas" na Coreia, em Taiwan e Cingapura chega a ser uma ofensa à inteligência.

Anônimo disse...

Procure qualquer publicação anglo-americana dos anos 1950 sobre o Leste Asiático e veja o que se pensava sobre as instituições da região pouco antes do início da decolagem.

Leonardo Monasterio disse...

Claro que tem cara que idealiza as diferenças das instituições. Hoje, eu tou com o Greg Clark: quem medisse a qualidade das instituições da Inglaterra do sex. XVII pela métrica de hoje diria: "putz, aí não vai ter Revolução Industrial" .E teve. Então tem mais coisa importante acontecendo.

Concordo tb que os developmental states da Ásia não eram lá grande coisa institucional no pré-decolagem. Porém: 1) instituições importaram; 2) havia diferença em relação a América Latina.

A prova está na realidade mesmo: uns decolaram; nós patinamos mesmo com montanhas de política industrial.
Hoje seria imprudente, sabendo o quão longe estamos de um hard state, defender:" mais política industrial, agora vai!"

(eu esbarrei em um texto recente em que o cara desencavou um indicador velho de qualidade institucional dos países. se encontrar, posto)

Anônimo disse...

Eu gosto desse blog e do autor, mas só eu acho que esse blog está virando neoliberal, mas a todo custo dizendo que é ciência e não ideologia? Bom, eu penso que não precisa de números/dados para ver que: quem seguiu as políticas do FMI e do Banco Mundial nos anos 80/90/2000 patinaram e quem não seguiu (caso de alguns asiáticos) cresceu.

Leonardo Monasterio disse...

"Bom, eu penso que não precisa de números/dados para ver que: quem seguiu as políticas do FMI e do Banco Mundial nos anos 80/90/2000 patinaram e quem não seguiu (caso de alguns asiáticos) cresceu"

Ah, precisa sim!

Anônimo disse...

Tá, precisa, concordo, mas queria dizer que é só observar as realidades por exemplo do Brasil, Chile, etc. que seguiram a cartilha FMI e dos asiáticos que não seguiram para chegar a essa conclusão.

Leonardo Monasterio disse...

Desculpe. Não dá para discutir se você acha que BR e Chile seguiram a cartilha do FMI.

Anônimo disse...

Bom, então acho que a educação no Brasil foi pelo ralo. Sempre pensei que o Brasil e outros países latino americanos seguiram as políticas neo liberalizantes do FMI e do Banco Mundial. Ainda bem que sigo seu blog e leio muito na internet para me corrigir.

Anônimo disse...

Educação = universidade. Não é um comentário irônico não.

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