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Manual / Blogs, Facebook, Twitter e o que mais vier

Blogs, Facebook, Twitter e o que mais vier


Se você usa as redes sociais para contar as suas taras, perversões, manias ou para arrumar mulher/homem, use um pseudônimo. Seria vergonhoso alguém buscar seu nome em "busca de informações profissionais e acadêmicas" e cair num grupo do Facebook: "Sou picareta, e daí?" ou "Satanistas também são gente" ou "Adoradores dos Ursinhos Carinhosos". Tente separar o seu lado Dr. Jekyll do Mr. Hide o máximo que puder. Abrir seu coraçãozinho nas redes sociais pode trazer muitos pages hits e amigos, mas acabará com a sua reputação.
Note que eu sugeri usar um pseudônimo e não usar aqueles recursos de só compartilhar com certos grupos. Seres humanos são dose e sempre arrumam um jeito de fazer com que vazem as informações que você divulga apenas para um círculo restrito. Se você compartilhou sua opinião com uma pessoa só que seja, ela deixa de ser segredo. O ideal seria que você nem estivesse na internet, mas se não resiste à tentação, use um pseudônimo.
Mesmo que você use as redes sociais apenas para fins acadêmicos, pense bastante no que vai escrever. Você escreve para a posteridade. Tudo ficará na internet para sempre. O teste é: será que existe alguma possibilidade, remota que seja, em algum universo real ou alternativo, de que isso possa trazer algum problema para o meu futuro? Bem, se você pensou nessa possibilidade é porque ela existe, então, desista de escrever e vá tomar um ar.
Eu tenho o blog http://lmonasterio.blogspot.com. Manter um blog tem muitas vantagens. Torna você conhecido no seu mundinho. Já fiz contato com muita gente que foi importante na minha carreira através do meu blog e acho que valeu para divulgar o meu trabalho (inclusive este livro). Outra vantagem é que o compromisso de postar todo o dia lhe dá uma prática de escrita e uma disciplina que podem ser úteis em outros momentos da vida.
Tem até gente que ganha dinheiro com blog. Perca as esperanças de conseguir isso e ter uma carreira acadêmica. Os raríssimos que porventura conseguem isso, geralmente, já tinham carreiras consolidadas ou acabam saindo dos temas acadêmicos para atrair mais público.
A grande desvantagem de um blog e outras coisas do gênero é que eles são os desperdiçadores de tempo perfeitos (veja o verbete procrastinação), mas nesse caso específico, um limite autoimposto de tempo pode ser útil. Se não der certo, desista do blog. Faça um post dizendo que o seu compromisso com a vida acadêmica está lhe tomando todo o tempo e que você não tem mais como postar com frequência. Pronto, você estará livre.

Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

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