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Manual / Frequência

Frequência


A maior parte das universidades brasileiras cobra presença dos alunos de graduação. Isso não acontece nas universidades dos EUA nem da Europa (Portugal, eu não sei. Mas Portugal fica perto, porém não exatamente na Europa).
Como professor, eu tenho sentimentos opostos sobre a presença. Claro, incomoda que, nas vésperas da prova, apareça um monte desconhecidos querendo aprender o conteúdo em dois dias. Isso ocorre quando a presença não é cobrada. Por sua vez, é um tanto peculiar que adultos sejam cobrados por estarem onde escolheram estar. Os argumentos para defender a cobrança de presença são estranhos. Quando comecei a dar aulas, um coordenador me disse que eu deveria cobrar presença porque "se um aluno cometer um homicídio, ele pode usar a sua lista de chamada como prova para escapar da cadeia". Ele falava sério.
Eu recomendo que você assista à aula. Se você for estudioso, será uma oportunidade de tirar dúvidas e perceber as nuanças do tema apresentado. Se você não for estudioso, acaba aprendendo algo, nem que seja por osmose.
Na sala de aula, não tente enganar o professor fazendo perguntas vazias para ganhar pontos por participação. Isso poderia funcionar nas aulas do primário, mas a maior parte dos professores é hábil em perceber quando um aluno não leu a matéria e só quer fingir que é ativo.

Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

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Agora, quando as instituições são ruins e o poder discricionário do governo é grande, surge um dilema. Como o empresário vai investir se sabe que uma hora qualquer as regras podem mudar contra si? Sem investimento, não há o que tributar.  A solução mútua é transformar o governo em sócio de alguns empresários. Assim, cria-se um compromisso crível: o governo não vai passar a perna nas empresas de quem é "amigo" pois tem u…

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" "Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrãode você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico." Se você não sabe o que é desvio padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico. Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a…

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