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Mostrando postagens de Julho, 2016

Manual / Estudo

Estudo
"Quem lê, não estuda", um professor meu dizia. Isso é a pura verdade, ficar só lendo a matéria não resolve nada. Você lê, lê, lê o mesmo parágrafo e a cabeça começa a viajar. Depois de algum tempo, você se autoengana que entendeu a matéria, mas não lembrará de nada em um par de horas. Esse princípio vale para todas as áreas, mas a tentação de só ler é maior naquelas em que dá para estudar deitado, ou seja, as ciências humanas. Não fique só na leitura. Faça exercícios, explique a matéria para você mesmo, elabore resumos. Qualquer coisa é melhor do que só ler os textos da disciplina. Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

Manual / Frequência

Frequência
A maior parte das universidades brasileiras cobra presença dos alunos de graduação. Isso não acontece nas universidades dos EUA nem da Europa (Portugal, eu não sei. Mas Portugal fica perto, porém não exatamente na Europa). Como professor, eu tenho sentimentos opostos sobre a presença. Claro, incomoda que, nas vésperas da prova, apareça um monte desconhecidos querendo aprender o conteúdo em dois dias. Isso ocorre quando a presença não é cobrada. Por sua vez, é um tanto peculiar que adultos sejam cobrados por estarem onde escolheram estar. Os argumentos para defender a cobrança de presença são estranhos. Quando comecei a dar aulas, um coordenador me disse que eu deveria cobrar presença porque "se um aluno cometer um homicídio, ele pode usar a sua lista de chamada como prova para escapar da cadeia". Ele falava sério. Eu recomendo que você assista à aula. Se você for estudioso, será uma oportunidade de tirar dúvidas e perceber as nuanças do tema apresentado. Se você n…

Manual / Escrita

Escrita
Alguém já disse que o texto fácil de ler foi difícil de escrever. Aqueles que dizem que "adoram escrever", raramente, escrevem bem. Escrever bem é trabalho e, como tal, não é prazeroso. Escrever é difícil porque, quando você coloca as ideias no papel, as incoerências, falhas do argumento e mesmo sua ignorância ficam claras. Escrever um texto com sentido implica em superar essas falhas. Lamento, mas essa é a dor do parto do texto, especialmente, o científico. Sim, existem exceções: pessoas que escrevem muito bem sem esforço. Essas exceções, exceções são, ora bolas. A má notícia é que esse talento é inato. Não adianta nem tentar ser um grande escritor. Ou você nasce com o talento ou não. A boa notícia: ser um escritor bem bom é quase fácil. Basta você seguir algumas regras simples e seu texto vai ser bom o suficiente para que todos gostem. Um texto bom convence as pessoas. O mundo é um lugar muito interessante e existem muitas coisas melhores no mundo do que ler um tex…

Manual / Epígrafe

Epígrafes
A função daquela frase entre aspas é mostrar para o leitor quem você é sem que ele tenha o trabalho de ler o texto. Capriche.A melhor fonte de epígrafes está no seu próprio caderno de campo. Nas suas leituras, se você fez direito, deve haver uma frase muito boa que se encaixa bem no espírito do trabalho.Eu já vi de tudo como epígrafe: trechos da bíblia, poesia e letras de música. Mas nada de pegar aquelas frases compartilhadas no Facebook com máximas atribuídas ao Gandhi, Chaplin ou ao Einstein. Por via de regra, eles não foram os culpados por aquelas frases com milhares de "Curtir". Livros de citações também devem ser evitados porque as boas frases já foram usadas.Resumindo, a epígrafe é o chapéu da tese. Bem-escolhida, ela marca o seu trabalho; mal-escolhida, a epígrafe só mostra que você é um babaca.
Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

Manual / Email

E-mail
Naum ixcreva com ortografia da internet. Parece q vc eh um idiota. Huahuahahau;Nunca mande aqueles e-mails com pedidos para crianças doentes, dia do amigo, correntes ou qualquer outra coisa com arquivos PPT para os pesquisadores.Se for mandar mensagem para a sua lista de amigos, coloque os endereços no campo "Com cópia oculta" ou "Cco" (Bcc, se o seu programa de e-mail é em inglês). Isso impede que algum dos seus destinatários, um mais mal-educado, use a lista de e-mail que você mandou para distribuir lixo aos seus amigos.Na comunicação na academia, não use endereços eletrônicos engraçadinhos ou que revelam seus desvios de personalidade. Ex.: pitbull82@hotmail; beto_flamengista@yahoo.com.br; 30cm20anosSM@uol.com.br.Não use a letra maiúscula. Nunca. Quando você trava o capslock parece que você está GRITANDO. Não use o capslock, nem quando você quiser gritar no e-mail. Afinal, berrar com os outros é feio (veja a última recomendação).Cuidado com o tamanho dos an…

Manual / Defesas

DEFESAS Enfim, a hora se aproxima. Você já está prestes a entregar a versão para a banca, não aguenta mais ver a cara do orientador (e vice-versa). Chegou a hora. Fique tranquilo. Se o seu orientador aceitou que você vá para a banca existem duas possibilidades: a) Seu trabalho é no mínimo razoavelmente bom e, apesar de sofrer, você será aprovado no final das contas. Uma coisa que qualquer orientador morre de medo é de passar vergonha na frente dos colegas. b) Seu orientador é doido ou um mau-caráter (ou ambos) e quer levar você para os leões como jantar. Se isso acontecer, o que é muito improvável, você não tem muito que fazer. De qualquer modo, você vai ter de fazer o seu melhor na apresentação. A sua defesa é tão importante quanto a sua primeira vez. E tão apavorante quanto. Outra semelhança: por mais que você tenha praticado, as outras partes são mais experientes do que você. A principal diferença – eu imagino – é que na tese ninguém estará bêbado. Procedimentos para uma defes…

Manual / DCEs e centros acadêmicos

DCEs e centros acadêmicos
Frequente o DCE se você tiver dois interesses: maconha e sexo com pessoas de hábitos de higiene pouco rigorosos. É natural que isso atraia a sua atenção durante alguma fase da sua vida (um final de semana, de preferência), mas o DCE traz riscos para a saúde. Você vai ver a barba crescer e você vai começar a achar que as camisetas do Che Guevara lhe caem bem. Se você ficar muito tempo no CA, você se transformará no homo oligo-sapiens passeatotum e em tudo aquilo que você, em 15 anos, repudiará. Existe gente que pensa que o DCE é o primeiro passo em uma carreira bem-sucedida na política partidária. De fato, vários políticos bem-sucedidos passaram pelas reuniões esfumaçadas do DCE. Mas correlação não significa causalidade e muitos políticos fracassados, que hoje não ganham nem eleição de síndico, também passaram pelos DCEs. Politicamente, os DCEs ocupam o espectro político entre a extrema esquerda e a esquerda-que-perdeu-o-senso-de-realidade. Os que se dizem ind…

Contra o Ensino de Economia

O ótimo Bernardo Guimarães escreveu um post em defesa do ensino de Economia na escola. Se entendi bem, a vantagem seria - além de fornecer a base para o aprendizado posterior-  que o curso serviria de contraponto às besteiras ensinadas em História e Geografia.
Eu sou contra a proposta por alguns motivos:
Prático: qualquer tentativa de ensinar Economia terá efeitos opostos.  Dada a má qualidade das escolas do Brasil de hoje, as chances do professor só falar bobagem e o curso se transformar em pregação são imensas. Seria ótimo se vários bernardoguimarães ensinassem  Economia para os adolescentes, mas a realidade é que os professores disponíveis estariam bem aquém disso. (Sem contar que  muita gente com diploma de economista na parede não entende vantagens comparativas. E algo me diz que exatamente esses iriam para o ensino médio). Empírico: mesmo nos EUA de hoje, onde - como lembra o Bernardo- as crianças aprendem Economia na escola, o discurso protecionista de dois candidatos presidenc…

Manual / Dados

Dados
Nos cursos universitários, você tem a oportunidade de aprender as técnicas apropriadas de análise estatística. Mas, às vezes, os professores se esquecem de transmitir alguns dos cuidados básicos. Faça gráficos Antes de começar a trabalhar, faça um gráfico dos seus dados. O primeiro motivo é que as coisas mais estranhas acontecem: erros de codificação, problemas com vírgulas, intervenção divina. Se houver valores anormais, eles aparecerão nos seus dados. Um bom jeito é fazer um histograma rápido para entender a distribuição das variáveis. O outro motivo para fazer o gráfico é entender a relação entre as suas variáveis de interesse. O quarteto de Anscombe mostra quatro conjuntos de dados que têm média, variância e correlação muito próximas mesmo. Contudo, como é fácil ver, a relação entre as variáveis é completamente distinta. Faça então uns plots com as variáveis relevantes para o seu estudo. Dicas gerais Faça um arquivo de controle de seus dados, com a fonte precisa dos dados e …

Quanto custou o Baile da Ilha Fiscal?

A lendária @verineas fez a pergunta no Twitter e eu respondo com prazer. O jeito mais tranquilo, sem se preocupar com as maluquices da inflação brasileira, é transformar para libra, deflacionar e depois voltar para R$. Vamos lá:
O baile custou 100 contos de réis (a Vera me informou). A taxa de câmbio de 1889, segundo o Ipeadata, era de 26,4 pence por mil-réis. Então 100 contos =2.640 mil pence. Aí tem uma armadilha: até 1971, o sistema monetário inglês não era decimal e havia 240 pences por libra. Logo, 2.640 mil pence = 11.000 libras (a preços de 1889)Para deflacionar a libra, basta ir no site Measuring Worth: essas 11.000 libras corrigidas pela inflação resultam em 1 milhão de libras de 2015. 1 milhão de libras em 2015= R$4,3 milhão de reais de hoje. Se foram 4500 convidados, dá um custo de quase R$1000 por cabeça. Faz sentido. Ou, em valores relevantes: O Baile da Ilha fiscal custou cerca de 1.075.000 churros, ou seja, 1 churros para cada habitante de Teresina e ainda sobram 307.44…

Manual / Congressos

Congressos
Os congressos são muito importantes, especialmente no começo de sua carreira. Eles são a oportunidade de você conhecer novas pessoas, ter uma panorâmica da comunidade e – o mais importante –perceber se quer fazer parte do meio acadêmico. Se aquele monte de gente parecida com você, discutindo os mesmos assuntos por três dias lhe agradar, é sinal que você está na carreira certa. Alertas: Tem surgido muitos congressos picaretas, com nomes bacanas (Interplanetary Conference on Technology, Media and Science) que são meros caça-níqueis e sem valor acadêmico. Orlando, Acapulco e Las Vegas são destinos comuns. Fuja disso, eles só querem o seu dinheiro. Se você quiser ir para esses lugares, use as suas férias.É muito feio mandar o paper e nem ter planos de comparecer. Sua ausência é, por vezes, perdoável porque as fontes de financiamento tendem a dar a resposta muito em cima da hora. Caso você não possa mesmo ir, faça um favor aos organizadores, avise-os por e-mail assim que souber. …

Manual / Concursos para professor

Concursos para professor
Você terminou o doutorado e agora precisa ganhar a vida. O negócio é fazer um concurso para a carreira docente. Quer nas públicas, quer nas privadas a lógica é mais ou menos a mesma. Antes de tudo, leia o edital. Leia mesmo. Em voz alta e marcando o texto. Já vi candidatos bons rodarem porque esqueceram um documento ou não viram que a prova era com consulta a livros. Admito que existem concursos armados. Na minha área, eu já soube de alguns, mas não é um problema endêmico. Uma coisa é a banca já ter simpatia por algum candidato; outra é a mutreta esculachada. Muita gente, má perdedora, gosta de espalhar que tudo no mundo acadêmico é armação. É verdade que tem gente ruim aprovada, mas os bons sempre conseguem, cedo ou tarde, a sua posição ao sol. Os critérios são subjetivos, então, é compreensível que, na dúvida, a banca escolha alguém que já tenha informação anterior. Daí a importância de estar bem-preparado na hora da prova, mesmo em um concurso em que há u…

Easterly sobre o Ha-Joon Chang

A resenha que o  William Easterly fez de um dos livros do Ha-Joon Chang é sensacional. É de 2009 e - por algum motivo - eu comi mosca. Aí vai um trecho:

Fofoca sobre o Chang. Em 2002- acho- ele apresentou em um seminário na Universidade Cambridge um paper em que dava um monte de pauladas no Banco Mundial. Não pelos motivos certos*, mas apresentando uma interpretação conspiratória do trabalho dos economistas do Banco. Para azar dele, o gigante sociólogo e gente boa Michael Woolcock estava na plateia. Na perguntas, Woolcock retrucou algo como você-me-desculpa-mas-eu-trabalho-lá-e-não-é-nada-disso. Em vez de defender o seu ponto, ele deu para trás e disse  "É..eu exagerei, nem acredito tanto assim. Foi só por retórica. " Papelão.
*Ver os trabalhos do próprio Easterly e do Lant Pritchett.


Manual / Coautoria

Coautoria
Conforme as ciências ficam mais complicadas e a especialização cresce, nada mais natural do que contar com o apoio de seus colegas de ofício. A complementaridade entre os autores faz com que você aumente a sua produtividade e dê um gás ao seu currículo. Em certas áreas, o número de coautores ficou ridículo. Existe um texto da área de Física com 2.991 autores. Imagino que para produzir aquele punhado de páginas foram necessárias milhares de horas, em dezenas de laboratórios. Então, nesse caso, não há problema. Qual o número ótimo de coautores? A escolha do número de coautores é complicada. Coordenar o trabalho de vários autores cresce exponencialmente, especialmente quando o texto for mesmo feito a várias mãos. E as chances de incluir um mala que vai encher o saco dos outros também cresce. Cuidado, então, ao convidar, porque desconvidar é bem problemático. Quanto mais gente no projeto, maiores as chances dos aproveitadores se esconderem na lista de autores. Algumas áreas, ge…

Manual / Ciência e picaretagem

Ciência e picaretagem
"Science is interesting, and if you don't agree you can fuck off." Richard Dawkins, citando um editor da New Scientist. No distante século XX, muita gente sofria de úlcera. Não só a doença era um incômodo permanente, mas também os doentes tinham dietas bem restritas e tomavam remédios diários. Para os médicos, as causas da doença eram o estresse e a alimentação inadequada. Na década de 1980, os médicos Gary Marshall e Robin Waren suspeitaram que a causa poderia ser uma obscura bactéria. Como ninguém acreditava nos pesquisadores, Gary tomou uma atitude radical (e nojenta): tomou um potinho cheio da bactéria suspeita. Bem rápido, ele ficou com uma úlcera horrorosa. Antibióticos o curaram. Em 2005, Gary e Robin ganharam o Nobel de Medicina. Esse é um bom exemplo do sucesso da ciência. Parece até um filme ruim de Hollywood, mas é uma história real que está de acordo com os sonhos dos cientistas. Gary e Robin tinham uma hipótese que a comunidade científic…

Manual / Caderno de campo

Caderno de campo
Os antropólogos levam o caderno de campo muito a sério. Na verdade, toda a Antropologia se baseia nele. A propósito, se você é antropólogo, pule essa seção porque ela não vai lhe ensinar nada novo. A ideia é você ter um caderno em que vai anotar, em ordem sequencial, todos os dias de pesquisa. Você escreverá aquilo que você fez, pensou em fazer, referências que esbarrou, comentários sobre artigos que leu e gostou ou não gostou. Tudo isso deve ser anotado no caderno. Não pense que você se lembrará das suas atividades durante a sua pesquisa. Em duas semanas, os textos que você passou os olhos vão para o mesmo inacessível lugar da sua cabeça em que você guarda a sobremesa que você comeu na semana passada. Ou seja, estão perdidos para sempre. Um caderno de campo bem-mantido é como uma memória externa que lhe impede de repetir passos já dados, além de guardar aquelas ideias que parecem interessantes no momento que você as tem (se a ideia é boa, ou não, você só descobrirá …

Recomendações de documentários

Esses são os documentários mais bacanas que vi no último ano:
Under the sun: cineasta russo foi contratado pela Coreia do Norte para fazer um filme de propaganda. Ele copiava escondido os cartões de memória, antes entregar para os censores, e conseguiu sair de lá com o material. Excelente, mas muito triste mesmo. O trailer já dá uma ótima ideia;City of Gold: sobre o Jonathan Gold, crítico de comida do LA Times e ganhador do Pulitzer. Ele foi o primeiro a descobrir as comunidades de imigrantes e a escrever sobre os restaurantes locais. Na verdade, é um ótimo doc sobre a Los Angeles de hoje;Iranian Ninja: as mulheres que treinam para ser ninja no Irã de hoje. Não preciso dizer mais nada.Wolfpack: seis (ou cinco?) meninos e uma menina que foram criados praticamente trancados em um apartamento em Nova Iorque. Os pais esquisitões, contudo, os deixavam assistir aos filmes policiais que quisessem. A cineasta os descobriu quando os mais velhos já eram adolescentes;What Happened, Miss Simone? …

Manual / Carta de recomendação

Cartas de recomendação
Ouvi dizer que o Albert Einstein era bastante generoso. Bastava qualquer um pedir uma carta que ele fazia uma elogiando o candidato. O problema é que – com o tempo – suas cartas perderam o valor. Quem apareceria com uma carta de recomendação por ele assinada, já mostrava que era picareta. Essa historinha reúne os problemas das cartas de recomendação. O valor da sua carta dependerá não só da reputação do professor, como também da sua reputação como fornecedor de cartas. Eu sou um feroz opositor da exigência de cartas de recomendação. Existem tantos problemas nas cartas de recomendação que, no final, não se sabe mais o que elas realmente trazem de informação sobre o candidato. Já soube até de um professor que escreveu uma carta detonando seu aluno "querido"para que ele não fosse aceito em outro mestrado e continuasse na mesma universidade. Aos recomendados Em geral, peça cartas para os professores com que você realmente teve contato. A carta que ele escr…

Manual / Brigas, críticas e debates

Brigas, críticas e debates
Bem, aí vai a minha regra: Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrãode você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico.
Se você não sabe o que é desvio padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico. Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a graça de ganhar uma discussão com um cara desses? Não há jeito de se sair bem. Se você vencer a briga, você terá apenas vencido a briga com um idiota. O que, cá entre nós, não é lá grande mérito. Além disso, os observadores sensatos vão lhe julgar como covarde. Agora, se você tropeçar e perder a discussão, você terá perdido para u…

Por quê - divulgação + uma crítica séria e outra não.

O canal do Youtube Por quê: economês em bom português, tocado pelo Carlos Eduardo Gonçalves, é o melhor canal de divulgação de Economia nacional e deveria ser mais assistido. O site do projeto está aqui.
Crítica séria (mas nada grave!) : no vídeo sobre as Escolas Econômicas, o Carlos meio que associa a história à heterodoxia. Ele sugere uma oposição entre quem usa história e quem usa métodos modernos para analisar as questões econômicas. Na verdade, não existe essa dicotomia. Justamente, o que está em voga é olhar para a história econômica e aplicar tais métodos modernos para entender temas relevantes. É verdade que no Brasil tem mais historiador econômico heterodoxo, mas isso não acontece no resto no mundo.  Tenho certeza que o Carlos sabe disso, mas o novato em Economia pode ficar com a impressão equivocada ao assistir ao video.Crítica não séria: um problema menor com todos os canais de divulgação de Economia no mundo é que os apresentadores "têm o rosto perfeito para trabalhar…

Manual / Bolsas

Bolsas
Este verbete não é exaustivo. Seria impossível tratar de todas as bolsas, pois existem uma miríade de modalidades com requisitos e objetivos distintos. E os regulamentos mudam todo o tempo. Um bom jeito de ficar atualizado é dar um pulo na pró-reitoria de pesquisa de sua universidade e pedir informações sobre as novidades. Tratarei então das modalidades mais comuns de bolsas. Os principais financiadores de bolsa brasileiros são a CAPES e o CNPq. É uma esquisitice que dois órgãos federais, sediados em Brasília, tenham funções sobrepostas. Fazer o quê? Então, em algumas modalidades de bolsa, você terá de fazer o procedimento de solicitação em duplicata. No estado de São Paulo, existe a FAPESP que tem uma parcela polpuda do orçamento estadual e nada em dinheiro. Já foi melhor, mas ainda continua bastante generosa. Além disso, a FAPESP tem uma institucionalidade que a torna mais protegida das variações da política estadual. As outras fundações estaduais de amparo à pesquisa oscilam…

Manual / Blogs, Facebook, Twitter e o que mais vier

Blogs, Facebook, Twitter e o que mais vier
Se você usa as redes sociais para contar as suas taras, perversões, manias ou para arrumar mulher/homem, use um pseudônimo. Seria vergonhoso alguém buscar seu nome em "busca de informações profissionais e acadêmicas" e cair num grupo do Facebook: "Sou picareta, e daí?" ou "Satanistas também são gente" ou "Adoradores dos Ursinhos Carinhosos". Tente separar o seu lado Dr. Jekyll do Mr. Hide o máximo que puder. Abrir seu coraçãozinho nas redes sociais pode trazer muitos pages hits e amigos, mas acabará com a sua reputação. Note que eu sugeri usar um pseudônimo e não usar aqueles recursos de só compartilhar com certos grupos. Seres humanos são dose e sempre arrumam um jeito de fazer com que vazem as informações que você divulga apenas para um círculo restrito. Se você compartilhou sua opinião com uma pessoa só que seja, ela deixa de ser segredo. O ideal seria que você nem estivesse na internet, mas se não r…

Manual / Bibliotecas e bibliotecárias

Bibliotecas e bibliotecárias
A biblioteca não serve apenas para encontrar os livros/textos recomendados pelos professores. Por pior que seja a sua biblioteca, uma caminhada entre as estantes resulta em uns achados se você gastar algum tempo folheando os livros relacionados à sua área de interesse. Como os livros são organizados por tema, os livros das proximidades do buscado podem resultar em boas surpresas. Nem tudo está na internet e, às vezes, um bom e velho livro, com mais ácaros do que uma múmia, é o que se precisa. A biblioteca é também o lugar para começar a busca pelos itens difíceis. Ao invés de ficar "googlando" e tentando encontrar o PDF em um daqueles sites de livros piratas, vá para a biblioteca. O COMUT, um programa de empréstimos entre bibliotecas, permite que você tenha acesso a livros do Brasil inteiro. Comece no site do IBICT (http://www.ibict.br/) para buscar em catálogos de diversas bibliotecas ao mesmo tempo. Uma vez tendo encontrado as referências, pro…

Diversos: só história econômica

Por que Portugal ficou pra trás (1500-1800)? R: Pelas condições internas. (via Shikida)?;Parece que o correio nos EUA do séc XIX promoveu a inovação, por Acemoglu, Moscona e Robinson;Ótimo post do Thales comentando o paper Brazilian export growth and divergence in the tropics during the nineteenth century;Uma sensacional lista de leitura atualizada sobre o História Econômica Quantitativa (a propósito, eu recomendo muito o posfácio do ótimo livro do Corrêa do Lago que tem toda a produção brasileira recente)

Manual / Backups

Backups
Faça muitos backups. Shit happens. Eu tenho a crença mística de que quanto mais backups, menor é a chance dos problemas ocorrerem. A frequência ideal, obviamente, depende do quanto está em risco. Salvar enquanto você está trabalhando deve ser tique, uma mania, um hábito que você faz a cada quinze minutos (tenho algo contra o autossalvamento do Word. Talvez, porque não goste do meu computador fazendo as coisas por mim). No final de um dia de trabalho, recomendo um backup para um pen drive e para um serviço on-line ao fim de cada dia ou dois dias. Backup on-line é muito importante por mera questão de segurança. Se você for roubado, um raio cair em sua casa ou um rinoceronte destruir o seu notebook, seu precioso trabalho estará a salvo em algum computador no sul da Califórnia. Hoje, recomendo o Dropbox. Ele cria uma pasta no seu HD sincronizada automaticamente entre todos os computadores. E, quando você estiver off-line, a pasta é acessada sem qualquer problema também. Funciona em …

Manual / Aulas

Aulas
Para os alunos No cursinho, você estava acostumado com aquelas aulas show, músicas e piadas. Na faculdade, você não encontrará nada disso. Uma boa parte das aulas será muito chata mesmo. Acredite se quiser, professor universitário é o único tipo de professor que pode entrar em sala de aula sem nunca ter tido uma aula de didática. Depois de escrever uma tese, ele passa em um concurso com uma prova didática que só testa se ele conhece o conteúdo, não é louco e pronto. Quando acorda, ele tem sessenta pré pós-adolescentes na sua frente e tem de entretê-los por quatro horas. Essa falta de preparo explica uma parte daqueles péssimos professores que você terá de enfrentar. Aqueles que dão boas aulas apenas copiam os melhores professores que tiveram ou são intuitivos. Em algumas áreas, é bem-aceito fazer rodinhas de alunos para discutir o tema. Eu ainda não vi qual é o valor didático disso. Uma coisa é ter um debate para valer, em que todos leram os textos relevantes e estão prontos e …

Manual / Apresentações

Apresentações em congressos e seminários
Conheça o seu público. Cada grupo tem a sua cultura. Na Administração de Empresas, o objetivo é entreter o público. Já se você for um filósofo, sua meta é entediar o público, fazendo com que uns dois ou três membros da plateia pensem seriamente em suicídio. Sério, uma das funções das apresentações é mostrar que você entendeu as regras do grupo acadêmico e está pronto para ser aceito. Então, antes de qualquer uma das apresentações, sugiro que você assista um bom número de apresentações dos outros membros mais experientes da tribo.Ensaie, ensaie, ensaie. Até escola de samba ensaia, por que você não iria ensaiar? É ensaio mesmo, não vale ensaiar na sua cabeça. Tente reproduzir as condições reais da apresentação. Nas primeiras vezes, você vai "sair do papel" para consertar uma coisa ou outra da apresentação. Tudo bem. O importante é fazer ao menos dois ensaios integrais, sem interrupção. E sempre com o relógio. Se tiver plateia simulada, m…

Manual / Agradecimentos

Agradecimentos
Junto com a epígrafe, os agradecimentos são a seção mais lida de todo o trabalho. Para não esquecer o nome de alguém, crie um arquivo "Agradecimentos.docx" para ir depositando o nome das pessoas que o ajudaram ao longo trabalho. Seja generoso, mas também não precisa lembrar-se daquela tia legal que trocou as suas fraldas. Escreva o texto final dos agradecimentos naquele dia em que você está sem ânimo para trabalhar de verdade, ou seja, escrever o corpo do texto. Eu sugiro omitir os agradecimentos da versão que você submeterá à banca. É esquisito você agradecer por algo que – ao menos formalmente – ainda não se sabe se foi bem-sucedido. Se você incluir na seção de agradecimentos o nome dos membros da banca, parece puxa-saquismo. Por sua vez, uma seção de agradecimentos sem o nome de um dos membros pode abalar os corações mais sensíveis. Então, só a versão finalíssima, aquela com capa dura, deve conter a seção de agradecimentos. Manual de sobrevivência na univers…